Número de nascimentos no Brasil cai pela 1ª vez desde 2010, aponta IBGE

Por G1/Darlan Alvarenga     14/11/2017 17h00

Em 2016, foram registrados 2,79 milhões de nascimentos, queda de 5,1% ante 2015. Número de casamentos também caiu e o de divórcios aumentou

Levantamento do IBGE considerou estatísticas do Registro Civil 2016

FOTO: Neville Mountford/PhotoAlto

O número de nascimentos registrados no Brasil caiu pela 1ª vez desde 2010, segundo as estatísticas do Registro Civil 2016, divulgadas nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que no ano passado também houve queda no número de casamentos, ao passo que o de divórcios aumentou.

Em 2016, foram registrados 2,79 milhões nascimentos no Brasil, o que representa uma queda 5,1%, ou 151 mil nascimentos a menos, na comparação com 2015.

Apesar do país já ter registrado queda no número de nascimentos em anos anteriores, o percentual de 2016 ficou bem acima. Em 2010, houve recuo de 0,2% em relação ao ano anterior. Em 2009, a queda foi de 1,3%. Em 2006 e 2007, foram verificadas retrações de 2,6% e 1,7%, respectivamente.

A região com maior queda nos nascimentos em 2016 foi o Centro-Oeste (-5,6%) e o Sul, com menor queda, de 3,8%. No Nordeste e no Sudeste, o recuo foi de 5,5%, e no Sul, de 3,8%.

Roraima foi o único estado a registrar mais nascimentos, com alta de 3,9%. Pernambuco registrou a maior queda (-10%), seguido por Tocantins (-8%), Sergipe (-7,5%) e Rio Grande do Norte (-7%). Em São Paulo, houve recuo de 5,1% e, no Rio de Janeiro, queda de -6,5%.

Embora a pesquisa do IBGE seja apenas numérica, sem apontar as possíveis causas, a queda dos nascimentos em 2016 aconteceu em meio à pior recessão da história do Brasil e em um período em que houve uma epidemia de zika, que pode provocar microcefalia em bebês. Pernambuco foi o primeiro estado onde o aumento dos casos de zika chamou a atenção das autoridades de saúde.

A região Norte teve a maior concentração de nascimentos no grupo de mães de 20 a 24 anos (29,6%). Por outro lado, as regiões Sul e Sudeste têm perfil de mães com idade mais avançada. Nessas regiões, o maior percentual de nascimentos ocorre entre as mulheres de 25-29 anos (24,7% no Sul e 24,3% no Sudeste), 20-24 anos (23,5% em ambas) e 30-34 anos (22,1% em ambas).

Casamentos caem 3,7%

Já o número de casamentos no país caiu 3,7% no ano passado, segundo o IBGE. A redução foi observada tanto nos casamentos entre cônjuges de sexos diferentes quanto para os cônjuges do mesmo sexo, com exceção das Regiões Sudeste e Centro-Oeste que apresentaram aumento nos registros de casamento gay.

Foram registrados 1.095.535 casamentos civis em 2016 em todo o país. As uniões entre pessoas de sexos diferentes caíram 3,7%, enquanto as entre pessoas do mesmo sexo recuaram 4,6%, representando 0,49% do total de casamentos registrados, revertendo tendência verificada no ano anterior. Em 2015, o casamento gay cresceu 5 vezes mais que entre homem e mulher.

Piauí foi o estado que registrou a maior queda no número de casamentos (-13,2%), seguido por Alagoas (-12,53%), Paraíba (-11,31%) e Roraima (-10%). Na outra ponta, o Amapá foi o destaque com aumento de 20% no número de casamentos registrados. Em São Paulo, houve queda de 2,9% e, no Rio de Janeiro, recuo de 0,10%.

Divórcios e guarda compartilhada crescem

Em 2016, o número de divórcios concedidos em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais aumentou 4,7% em relação a 2015, totalizando 344.526 registros, segundo o IBGE.

Em média, o homem se divorciam aos 43 anos, e a mulher aos 40. No Brasil, o tempo médio entre a data do casamento e a data da sentença ou escritura do divórcio é de 15 anos.

Segundo o IBGE, é maior proporção dos divórcios ocorreu em famílias constituídas somente com filhos menores de idade (47,5%) e em famílias sem filhos (27,2%).

A guarda dos filhos menores segue predominantemente com a mãe, mas a fatia caiu de 78,8% em 2015 para 74,4% em 2016. Já a guarda compartilhada aumentou de 12,9% em 2015 para 16,9% em 2016.

Mortalidade até os 14 anos cai

A pesquisa do IBGE mostra ainda que caiu a mortalidade até os 14 anos de idade, ao passo que aumentou o número de óbitos nas idades mais avançadas, em especial acima dos 50 anos, um reflexo do envelhecimento populacional.

Em 2016, um homem de 20 anos tinha onze vezes mais chance de não completar os 25 anos do que uma mulher, segundo o IBGE.

No grupo de homens de 15 a 24 anos, estados como São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco e Minas Gerais conseguiram reduzir a quantidade de óbitos por causas externas, estatística que inclui as vítimas da violência. Por outro lado, houve aumento em estados como a Bahia, Sergipe e Piauí.

O volume de óbitos registrados no Brasil nos últimos 10 anos cresceu 24,7%, passando de 1.019.393 registros em 2006 para 1.270.898 em 2016. "Enquanto nas idades iniciais os declínios foram significativos, foram observados aumentos importantes para as idades acima de 50 anos, fruto do envelhecimento populacional", destaca o IBGE.