Maikai: MPE quer réu condenado por homicídio triplamente qualificado

Por Thiago Gomes* | Portal Gazetaweb.com     12/06/2019 11h58

Promotores vão atuar na acusação do júri deste caso, marcado para esta quinta-feira

Marcelo dos Santos Carnaúba senta no banco dos réus pela morte de Guilherme Brandão 

FOTO: Arquivo

O júri popular do assassinato do empresário Guilherme Paes Brandão, dono da Choparia e Bar Show Maikai, está marcado para esta quinta-feira (13), a partir das 8h, no Fórum de Maceió, e o Ministério Público Estadual (MPE) informou que vai pedir a condenação de Marcelo dos Santos Carnaúba por homicídio triplamente qualificado. O crime aconteceu no dia 26 de fevereiro de 2014.

A denúncia oferecida pelo MPE tipificou este crime por ter sido cometido por um motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de outro delito. Além disso, o ex-gerente administrativo e financeiro do Maikai também deverá responder, no júri, por tentar atrapalhar as investigações. Ele teria alterado a cena do crime.

Em abril de 2014, o promotor José Antônio Malta Marques, responsável por oferecer a denúncia à Justiça, afirmou que o crime aconteceu após a vítima descobrir os desvios financeiros praticados pelo acusado que ocupava cargo de confiança na empresa. Para não arcar com as consequências das irregularidades, o então gerente planejou e executou o assassinato do empresário. 

De acordo com o MPE, a autoria do homicídio foi comprovada com a confissão do delito por Carnaúba e também com os depoimentos prestados pelas testemunhas do caso. Quanto à materialidade do crime, servem como provas o laudo pericial do local da morte, o laudo do exame cadavérico e a certidão de óbito da vítima.

No júri desta quinta, vão atuar na acusação os promotores Leonardo Novaes Bastos e Marcus Vinícius Batista Rodrigues Júnior, além do advogado José Fragoso, contratado pela família da vítima.

Acusado afastou funcionários na manhã do crime

Como parte do plano de assassinato, Carnaúba chegou a conceder folga a alguns funcionários da casa de shows naquela mesma data. A outros, ele sugeriu que chegassem mais tarde no expediente. Na manhã do dia em que ocorreu o crime, o gerente ligou o gerador de energia do estabelecimento, algo incomum no cotidiano da casa noturna, com o objetivo de disfarçar qualquer tipo de barulho diferente que despertasse suspeita quanto ao que estava prestes a ocorrer no escritório onde trabalhava.

A vítima, que costumava entrar na sala do acusado, adentrou o local sem a menor suspeita das intenções do empregado. "Já dentro da sala, Brandão foi atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca, o que nos fornece a certeza de que o empresário recebeu o ataque nas costas e pelas costas, vale dizer, por traição e de forma a não ter qualquer chance de defesa", disse um trecho da denúncia. 

Depois do assassinato, o então gerente administrativo e financeiro do Maikai arrastou o corpo do patrão, modificando a cena do crime, no intuito de simular outro delito no local, conforme a Polícia Civil constatou no laudo pericial de local de morte violenta, o que configura uma tentativa de fraude processual, segundo a denúncia do MPE/AL. Para se eximir do crime, Carnaúba ainda escondeu a arma na caixa de energia da casa e avisou aos demais funcionários que havia sofrido um assalto e que a vítima estava baleada.

*Com MPE