Escola 10: após puxão de orelha e denúncia de calote, Renan Filho paga premiação

Por Jonathas Maresia | Portal Gazetaweb.com     09/11/2019 08h00 - Atualizada às 09/11/2019 09h50

Gestores municipais esperavam há quase um ano pelo pagamento de R$ 20 milhões para investimento na educação

Governador Renan Filho levou puxão de orelha de deputados por calote em escolas que venceram o Esola 10

FOTO: Assessorias

O clima festivo no Palácio República dos Palmares marcou o novo anúncio de Renan Filho, nesta sexta-feira (8), das datas para o pagamento do Escola 10. O que o governador não mencionou durante a solenidade pomposa é que os ganhadores da edição de 2018 estavam há quase um ano esperando o pagamento. Inclusive, os prefeitos que esperavam os recursos precisaram se virar para investir na educação ao longo deste ano. A denúncia do calote governamental aos ganhadores foi feita pela Gazetaweb, em 20 de agosto, resultando no puxão de parlamentares na Assembleia. 

Após o calote ganhar destaque e repercussão no parlamento alagoano, Renan Filho enviou um projeto de lei para, finalmente, destinar os recursos para os municípios. O montante será dividido entre os municípios premiados e pago pelo Governo do Estado em duas parcelas: uma de 50% do valor em 20 de novembro e a outra, também de 50%, em 20 de dezembro deste ano. Na relação de municípios premiados com o Escola 10, ou seja, que superaram as metas estabelecidas, estão Belém, Cacimbinhas, Dois Riachos, Feliz Deserto, Jacaré dos Homens, Pindoba, Roteiro, São Luís do Quitunde, Teotônio Vilela, Viçosa e Coruripe. 

Nesse período de impasse e cobrança dos gestores e parlamentares, restou aos prefeitos vencedores e que esperavam receber os recursos desde o começo do ano para desenvolver ações nas suas cidades, apreciar os registros fotográficos publicados por Renan Filho e sua equipe nas redes sociais do Governo de Alagoas e nos sites institucionais. Mesmo sem receber os recursos, as escolas estaduais e municipais se mobilizaram para aprimorar a qualidade de ensino e superar os índices educacionais. 

O calote do governo aos municípios levou o secretário de Educação, Luciano Barbosa, a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa. Os deputados quiseram saber deles os motivos pelos quais o governo Renan Filho fez a divulgação do pagamento, mas, após quase um ano, um real sequer havia sido pago às cidades. Durante uma sessão ordinária, o deputado Davi Maia (DEM) reforçou a denúncia feita pela Gazeta e levou para o plenário um cheque impresso com os dizeres "sem fundos", em referência ao colote do governador as cidades ganhadoras do Escola 10.

Após o anúncio do pagamento, Davi Maia explicou que este ato não encerra a série de problemas com a Escola 10. "O é o que a gente vem falando. Infelizmente, o gasto é liberado para outros setores. Os prefeitos poderão gastar como queiram, está entregue aos municípios. Lembro que apoiei a emenda de autoria da deputada Jó Pereira, que não foi aprovada, para que o prêmio fosse usado apenas na educação. Também, até agora, nada de chegar o pagamento dos professores, como tinha sido anunciado, em janeiro. É muito triste saber que os municípios receberam, que as prefeituras receberam e os professores do estado até agora, não e não tem nem previsão. Tentamos vencer essa briga aqui na Assembleia, mas infelizmente, não conseguimos", disse deputado em entrevista à Gazetaweb. 

"Agora, é aguardar para que os prefeitos deem a melhor destinação. Apesar de eu achar o programa muito bom, parece que o próprio governo não acredita nele quando chega situações como essa. Esse processo foi prometido em dezembro do ano passado e só agora foi pago. O que mostra um descuido muito grande com um projeto do próprio governo", completou o deputado.